segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

"João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém. João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento, Raimundo morreu de desastre, Maria ficou pra tia, Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes que não tinha entrado na história."

Carlos Drummond de Andrade

Biga ama Bigo que ama Biga*#

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

talking bear in a dress.

Via msn Bélgica - Portugal...
E reza assim:
Ele - Ora olá...?
Ela - Olé.
Ele - Esses ossos?
Ela - No sítio. E as tuas cartilagens?
Ele - Encostadas a ossos, todas, acho eu... Eh eh eh eh.
Esses dentes alheios?
Ela - Feios, porcos e maus como sempre.
Ele - Que inveja... Eh eh eh.
(...)
Ele - Vou sair... Tomar banho e arranjar-me que vou ao teatro...
Ela - Chic...
...ken. Ahahahah.
Ele - Très chic. Ah ah ah ah.
Ela - Vai lá vai e chega cá cheio de manias que vês.
Ele - Vou arrasar com o meu vestido novo.
Ela - E os stilletos.
Ele - Vamos falando como temos falado... Que te parece?
Ela - Telepatia.
Ele - Viste? Resulta.
Ela - Bom teatro, urso. (um urso no camarote)
Ele - Comédia do Fellini.
Beijo num tornozelo.
Ela - Beijo no cotovelo.
Ele - Bebemos um copo à saída do teatro...
Ela - Dois... copos e beijos.
Ele - Tanto melhor.
Au revoir ma chérie.
Ela - Até sempre.

sábado, 21 de novembro de 2009

"?".


He - Exactly! You're just like "me" despite the lack of "beauty"!

extravaganza.

Ela - Para quando uma saída?
Ele - Num dia bom... E tu dizes "Um dia bom é qualquer dia!". E eu respondo "Pronto, é quando quiseres!".

E um dia bom é hoje.

sábado, 14 de novembro de 2009

fairy tale.


Ela - Eu e tu... Juntos para sempre?
Ele - Isso não será pouco tempo? Agora só me apetecia apagar-te a saudade do corpo...
And they lived happily ever after.

between ().


- (Vem! Quero ver-te! Quero roubar-te um beijo...)
(Apetece(s)-me. Vem.)
(...)
- (Shhhhhh.)
- Gosto de ti. Muito.
(Desejo-te tanto!)
- Como se nunca houvesse distância entre nós...
- E não! Para sempre! Fiz-te essa promessa.
- Fizeste?
- Não te lembras? Naquela noite.
- As promessas são cumpridas quando nos abandonam as recordações. Promete de novo para me relembrar...
- Todas as vezes que quiseres...
- Esta é uma vez. Quero agora.
- Tomarei sempre conta de ti... Sempre.
(...)
- Dizem-te saudoso. Que deixo marcas.
- E que marcas...
- Visíveis aos olhos dos outros ou apenas dos melancólicos?
- Não sei. (Mas desejo-te como na primeira vez que te vi.)
- Vi-te primeiro...
- (E ainda me desejas?)
- Invade-me uma ternura singular e a inversão de papéis em que me torno a protectora e não a protegida. E sinto-me bem. Percebes ou sou estranha?
- Percebo...
- E as brincadeiras, as conversas, os limites, tudo deixa de arranhar e de saber a mágoa no final porque está tudo bem. (Está tudo bem...)
- (Nunca te magoaria! Nunca!)
- (Os teus lábios na minha testa já me segredaram isso.)
- Durmo...
- Sonha. (Ainda não vás.)
(Para sempre... um pouco muito de ti...)
E o espelho tornou-se reflexo
e a voz ao ouvido que apetece guardar com um laço cobriu-se e dormiu.
Voltas amanhã?


sexta-feira, 13 de novembro de 2009

hansel e gretel.*


Ele - Ovelha meeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee.
Ela - Boi muuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu.
..
.
* Versão "my brother and I
talking on the internet".

quinta-feira, 12 de novembro de 2009



E que a minha loucura seja perdoada
porque metade de mim é amor
e a outra metade também.

Oswaldo Montenegro

E escrevo e pairo fechada à chave por dentro para que o vento não me rasgue a alma.

Deposito-te um beijo no ponto de encontro dos nossos eus.
Durmo contigo nas mãos.
Durmo contigo sob a almofada que abraço.
Dorme também.
*#

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

sonhos de chuva-pele.


Nem sempre foi assim.
Nem sempre fui assim.
Ontem, quando dormi, não tinha este rosto de hoje quando toquei o chão frio. Assim triste, assim magro, assim oco. Nem estes olhos tão vazios. Nem esta boca azeda.
Ontem não tinha estes membros apáticos. Assim tão moles, flácidos e frios.
Ontem não era casa deste coração escondido.
Eu não me apercebi que mudei. Eu disse-te que não me ia aperceber. Eu fiquei no ontem, no passeio da rua, em frente ao senhor da fruta e sem me preocupar se vinha alguém que quisesse passar. Eu fiquei ali, no chão, a ver a rua, a ver os carros. A ver o teu carro... A ver-te... Até te perder de vista.
Eu fiquei ali ao sol, ao frio, à chuva, ao vento.
Eu fiquei ali.

Uma vez por semana passo por mim. Ainda lá estou.
Lembro-me do sol e dos sorrisos, da vontade que amanheça depressa para sentir tudo de novo e ainda mais.
E finjo que está tudo bem.

Olhas para mim que não sou eu e só tu sabes.
Ali onde estou, na rua onde os nossos olhares se encontram até voltares, é noite.
As pessoas não imaginam porque estou ali. São tão ridículas as pessoas, tão inertes. As pessoas passam, falam e não imaginam. E nós olhamo-nos. E prendo os meus olhos com lágrimas soltas e deixo-te ir com tempestades de medo nos lábios a sorrir. Deixo porque tens de ir. Deixo porque não quero.
No abrigo do nós soubeste ser o vento na minha camisola. E eu despi-a para ti, a dar-te um coração que era o resto da vida.
E os outros amam o que é fácil...
E não sei como sentir.
A minha vida é um lençol branco que se soltou com o vendaval. Não sei por onde vou. Não sei para onde vou. Sei que não vou por aí. Fico ali, por enquanto, até ver de que cor fiquei.
E ali resgato o brilho dos olhos... Ali fujo dos conselhos sensatos.
"Porque a noite é um poema que conheço de cor e vou cantar-to até adormeceres."
Um pouco mais de sol.
Um pouco mais de azul.
Dorme azul. Sonha bem.
E fico no mundo sem ser do mundo porque o meu mundo está longe.

nice to meet you.



Tinham passado um dia e uma noite inteiros nus, juntos, e durante a maior parte desse tempo não mais do que alguns centímetros afastados.
Desde bebé que ninguém, além dele próprio, tivera tanto tempo para examinar como era feito. Como não havia no longo e pálido corpo dela nada que ele não tivesse observado, nada que ela tivesse ocultado e nada que ele não conseguisse recordar agora com uma percepção de pintor, com o conhecimento estético meticuloso e excitado de um amante, e como passara o dia inteiro não menos estimulado pela presença dela nas suas narinas do que pelas suas pernas abertas nos olhos da sua mente, a conclusão lógica era que não podia haver no corpo dele nada que ela não tivesse absorvido microscopicamente, nada naquela extensa superfície onde estava gravada a sua singularidade evolutiva auto-adoradora, nada na sua configuração única como homem, na sua pele, nos seus poros, nas suas patilhas, nos seus dentes, nas suas mãos, no seu nariz, nas suas orelhas, nos seus lábios, na sua língua, nos seus pés, nos seus testículos, nas suas veias, no seu pénis, nas suas axilas, no seu rabo, no emaranhado dos seus pêlos púbicos, no cabelo da sua cabeça, na penugem do seu corpo, nada na sua maneira de rir, dormir, respirar, nada nos seus gestos, no seu odor, no modo como estremecia convulsivamente quando se vinha que ela não tivesse registado. E recordado. E reflectido sobre.
A causa disso era o acto em si, a sua intimidade absoluta quando não só estamos dentro do corpo da outra pessoa como ela nos envolve estreitamente? Ou era a nudez física? Tiramos a nossa roupa e deitamo-nos na cama com alguém, e é na verdade aí que vai ser descoberto o que quer que escondamos, a nossa particularidade, seja ela qual for e seja como for que esteja codificada, e é aí também que está a origem da timidez e o que toda a gente receia. Quanto de mim está a ser descoberto nesse louco lugar anárquico? Agora sei quem és.
Philip Roth

domingo, 8 de novembro de 2009

soul*body*soul*


quando aqui não estás.



quando aqui não estás
o que nos rodeou põe-se a morrer

a janela que abre para o mar
continua fechada

só nos sonhos me ergo

abro-a

deixo a frescura e a força da manhã
escorrerem pelos dedos prisioneiros
da tristeza

acordo para a cegante claridade das ondas

um rosto desenvolve-se nítido
além
rasando o sal da imensa ausência
uma voz

quero morrer
com uma overdose de beleza

e num sussurro o corpo apaziguado
perscruta esse coração
esse solitário caçador
Al Berto

terça-feira, 3 de novembro de 2009

he.



Ain't no sunshine when he's gone.
It's not warm when he's away.
Ain't no sunshine when he's gone.
And he's always gone too long.
Anytime he goes away.
"Só em ti penso!"

sexta-feira, 30 de outubro de 2009


Um dia descubro que me chamo Rapunzel e que o príncipe esteve sempre debaixo da minha cama.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009


Que a força do medo que tenho
não me impeça de ver o que anseio
que a morte de tudo em que acredito
não me tape os ouvidos e a boca
porque metade de mim é o que eu grito
mas a outra metade é silêncio.
Oswaldo Montenegro

terça-feira, 27 de outubro de 2009

très californication.*




*"Sempre que alguém passar por aqui apaixonar-me-ei,
seja por 5 minutos ou por uma vida inteira."
Hank Moody' style.



A Maria tem amigos. Não muitos. Tem bons amigos.
A Maria tem conhecidos. Tem muitos. Não se sabe se são bons ou maus. A Maria não os cataloga dessa forma.
A Maria tem pessoas na sua vida que apareceram um dia, partilharam estrelas, nuvens e asas de aviões. Continua a ter. Desembarcam longe ou perto e nem sempre desfazem as malas. Voam de novo. E a Maria fica a ver até os olhos perceberem que não podem olhar apenas para cima.
.
"Quando nos conhecemos? Lembras-te como foi?"
.
A Maria sabe. A Maria lembra-se. Já nem estranha quando lhe dizem "És a minha memória!". Foram tantas as vezes.
Um "Já não me lembro..." não risca a pele da Maria quando sente que o como e o quando são inúteis no que parece ser intemporal e desinteressado, contudo sincero.
.
A Maria não julga, não critica, não interrompe. Ouve e perde-se nas histórias que lhe contam. E, por vezes, vê a sua história contada por outros, noutros tempos, com outras pessoas... Mas indubitavelmente sua!
.
Confissões, desabafos, opiniões, comentários... A Maria absorve e fascina-se com a entrega de quem a embala. Desconhecida mas tão familiar... Quando quer, a Maria não vê falhas nem defeitos nem aterragens atribuladas mas antes pedaços de gente que um dia ficarão no passado por vontade própria.
.
Sem esforço, a Maria recorda-se daquele sorriso que a faz sorrir, do simples e contínuo movimento de levar o dedo aos lábios, das expressões, do ar marcado e carente, da impossibilidade de estender os braços e deixar saber que sente tudo da mesma forma.
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A Maria é a Maria. Nunca seria apenas Maria.
A Maria sou eu, és tu, é ele, é ela, são todos os que a quiserem ser.
.
"Um perfeito equilíbrio que atrai."
.
Enquanto o dia nasce, enquanto a primeira luz transforma os olhos da Maria em pequenas manchas, a Maria despede-se o mais serenamente que consegue. Sem olhar para trás uma única vez, sob pena de nunca mais conseguir ir embora. Não lhe interessa o que vai fazer a seguir, apenas que não vai esquecer. E constrói-se uma história sem perto nem longe, sem escalas sem atrasos.
.
E voa cá em baixo. E as asas do avião afastam-se...

"Como serão vistas de outra forma?"

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

exílio.


"Hoje é o 1152º dia do resto das nossas vidas...
Amar-te-ei!"
(23:27:03 Luanda)
gosto-te.
gosto tudo em ti.

domingo, 25 de outubro de 2009

subtil.#*


- (Quantas vezes pensei em mais uma vez!)
- (A beleza de certas coisas reside na possibilidade de...)
- O que é bom! (Ainda te desejo, sabias?)
(...)
- (E fomos tanto...)
- ("Não te apaixones por mim." Ainda me recordo.)
- (E cá estamos...)
- (É esse o segredo. Sabias desde o início.)
- (O segredo é não ter segredo algum! Desejo-te agora como te desejava.)
(...)
- (Miss you... Quase devoção!)
- (Why the ()? Backstage talk?)
- (Whispering... Reminds me of you...)
- (The shhhh?)
- (You ssshued me a lot.) Durmo agora.
- Sonha.
Sabe bem adormecer embalada por histórias assim...

detalhes.virtudes.


segunda-feira, 19 de outubro de 2009

amores perfeitos.


"Habituamo-nos a tratar os amores como electrodomésticos: quando se escangalham, vamos ao supermercado comprar um novo, igualzinho ao que o outro era. Consertar? Não compensa: o arranjo sai caro, além de que nunca se sabe muito bem onde procurar a peça que falta. Substituímos a eternidade pela repetição, e o mundo começou a tornar-se monótono como uma lição de solfejo. Tememos a maior das vertigens, que é a da duração."
Nas tuas mãos, Inês Pedrosa
Mas há amores fora das aspas e desprovidos de citações. Amores que são amizades cúmplices e paixões de cinema. Amores como o meu-dele-nosso. Amores que resistem ao outono e mantêm-se verdes.
Hoje apetece-me pensar em ti. E não consigo evitar um sorriso. Esquecer que a saudade está só no início e que o tempo é da equipa adversária.
"Esperas por mim?"
"Até ao fim do mundo."

domingo, 18 de outubro de 2009

retornada.

A Maria voltou mas voltou inconformada e com um nó no peito que não consegue (ainda!) soltar. Nó de marinheiro, cirúrgico ou aquele que se faz nos cordões do colega da carteira da frente quando está distraído.
E a Maria levantou-se e caiu... e deixou-se ficar mais perto do chão e mais longe de tudo.
Metade da Maria partiu e voou. Está longe. A outra metade afasta-se agora.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

há mimos que vêm em sonhos.

E às 5 da manhã alguém acorda (confiante que não vais sentir nada) e prepara o teu pequeno-almoço acompanhado de um girassol e de um bilhetinho mimoso para logo voltar a aninhar-se ao teu lado e adormecer...

terça-feira, 8 de setembro de 2009

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estou assim...




"Não queria que fosses... Não quero que vás..."
E adormeceram sufocados pelo silêncio cúmplice da saudade que se adianta.

Biga das ideias tortas

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

terça-feira, 1 de setembro de 2009

caderno de actividades do eu.



Sou estranha. Sempre ouvi dizer que sou estranha e não faz sentido pensar quando foi a primeira vez. Entranhou-se a estranheza na pele pálida e teimou em não sair. Bem ou mal aceitei os traços delineados por quem me via de fora.

"És estranha, sabias?"

"Ouvi dizer que sim."

Sou antagónica. Não sou uma linha recta nem uma curva. Sou antes uma figura envolvente. A linha que se traça no labirinto da parte de trás da caixa dos cereais e que não sai bem à primeira.

"És estranha!"

Há quem diga que falo muito (e mandam-me calar) e há quem diga que falo pouco (e mandam-me falar). Prefiro olhar e ver falar e passo por intrometida quando apenas sou curiosa.

Confesso, não sou de meios termos. Uns dias 8, outros 80. E isso talvez tenha que ver com a minha dificuldade inata com medidas. Não tenho noção das medidas, de quando já chega, de quanto falta, de quanto mede. Por exemplo, não cozinho, mas não cozinhar não implica não gostar, apenas não tentar cozinhar. Gosto de inventar, fazer as coisas à minha maneira, deitar as quantidades que quero e mexer o tempo que eu quiser. O problema aqui é o meu próprio problema: não tenho noção das medidas certas e para fazer mal prefiro não fazer. Sou perfeccionista.

"És estranha!"

Também não tenho noção do que falo. Não sempre. Mas eu penso. Penso muito. Bastante. Demais. Penso exaustivamente. Falo quando estou a pensar, penso quando falo, digo o que estou a pensar e fico com a noção que apenas pensei. Outras vezes, penso que disse, e na verdade apenas pensei e ficou para mim. De forma estranha ficam coisas por dizer, por não dizer, por insinuar.

Dizem que falo baixo e pedem-me para repetir. Repito e não percebem. Não repito. E fico aborrecida. Sou estranha.
Quando falo, olho. Mas olho para cima, para baixo, para o lado, para o ontem, para o amanhã, para a morte da bezerra. Não é de propósito... é só despropositado. Irritantemente despropositado. Parece que me estou nas tintas para a conversa mas não! É completamente o contrário.

"Se tu olhasses mais para a pessoa com quem estás a falar serias ainda mais cativante!"

Nas minhas guerras não faço prisioneiros...

"És estranha!"

Sou... Estranhamente complexa.