sexta-feira, 16 de abril de 2010

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"Que solinho redondo que está agora depois de ter vindo chuva e vento durante 10 minutos.
Não tem nada a ver com nada em particular mas lembrei-me logo de ti...
Quando choves ou fazes vento e frio para mim, logo logo fazes um solinho redondo."
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quinta-feira, 15 de abril de 2010



Ponho um beijo demorado no topo do teu joelhoDesço-te a perna arrastando a saliva pelo meioOnde a língua segue o trilho até onde vai o beijoNão há nada que disfarce de ti aquilo que vejoEm torno um mar tão revolto no cume o cimo do tempoE os lençóis desalinhados como se fosse de ventoVolto então ao teu joelho entreabrindo-te as pernasDeixando a boca faminta seguir o desejo nelas


maria teresa horta

terça-feira, 6 de abril de 2010


Há muito muito tempo... Não há tanto tempo assim mas há tanto que nem ela sabe bem quando foi.
2001? 2002?
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O palco da história é literalmente um palco.
Entre figurantes e personagens secundários os protagonistas assumem posições aleatórias, esperando deixas e dicas, sem preocupações com textos memorizados ou inícios de cena com a cortina a abrir.
Subiram ao palco. Ela primeiro com a sua legião. Ele depois.
Aplausos.
Não contracenaram juntos. Não houve um diálogo em palco.
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"Liga-me depois!"
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O palco expandiu-se e sobrepôs-se à rotina. Tornou-se musical, competitivo, saudável, intenso, cénico. Cresceu e tornou-se criança mimada... pelos dois.
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E a cortina desceu. Mas ele e ela permaneceram de mãos dadas em cima do palco.
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domingo, 4 de abril de 2010

anónimos com nome.


Para o menino Paulinho que me presenteia com a sua graça quando o vento sopra em ziguezague, quer aqui quer com um chocolatinho na mão antes da tortura.
Confidente de (des)aventuras lusobrasileiras.
Amigo inesperado mas recebido de braços abertos.
O eterno Paulinho inho inho inho inho...
O núcleo duro permanecerá.

Para o menino Ricardo, izztúpido quanto basta.
Membro fundador dos dias de parvoíce.
Amigo presente (ainda que ao longe).
Comunicador nato (para o bem e para o mal).
Mestre no envio de mms (e viva o extreme).
Fashion adviser das horas de indecisão.
E recordo com saudade quando tentávamos adivinhar as músicas que passavam na rádio até o sono sair vencedor.

* Para aquecer o coração.

terça-feira, 30 de março de 2010

:)


Olha olha!
Tão parva que quero este modelito! :)

foolish.


Hoje estou parva. Estou, não sou!
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Parva como quem canta qualquer musicola que passe na rádio.
Parva como quem entope a rua só porque o arco-íris está mais nítido que nunca e desfoca se o carro estiver em andamento.
Parva como quem pede uma fatia daquele bolo de chocolate habitué e o acha ainda mais fofo que o normal.
Parva como quem se senta nos espaços infantis e ganha meia hora a escrever um nome com lápis de cera de todas as cores.
Parva como quem se veste de azul, prateado, rosa, verde, cinza, castanho e amarelo tudo de uma só vez.
Parva como quem manda mensagens gugu para o namorado e se derrete toda com as respostas dada.
Parva como quem se sente pequena na roupa que usa mas enorme no corpo que passeia.
Parva como quem não faz planos para amanhã mas imagina coisas lindas, passeios de mão dada, corridas para fugir da chuva, gelados que congelam a mão e abraços reconfortantes.
Parva como quem só quer acordar cedo e ficar até tarde no quentinho dos cobertores a pensar com dois sorrisos no rosto.
Parva como quem, subitamente, tem vontade de escrever sobre nada e nada sai, realmente.
Mas parva...
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heavy weight.


Pode parecer estranho mas gosto quando estás doente. Assim posso tomar conta de ti.
Foi o que ela lhe disse. E recebeu um sorriso.
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E o peso dos dias voou. E ela largou os cordéis dos balões.

terça-feira, 23 de março de 2010



Porque o amor é elástico. Estica, molda-se, dobra-se e com sorte nunca parte.
E flutua num antes e num depois, como o melhor e o pior da vida.
O que não se ama, não existe. E o que existe sobrepõe-se num caos maravilhosamente surrealista.
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"- Hoje apetece-me sonhar. Queres sonhar?

- Vamos fazê-lo em silêncio. Será mais belo."

sábado, 20 de março de 2010

pretexto.

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Hoje, só por ser Outono, vou chamar-te "meu amor"*
Contra as regras do que somos, vou chamar-te "meu amor"
Hoje só por ser diferente te encontrar

E há flores e há cores e há folhas no chão
que podem não voltar...
Podes não voltar.
Mas é eterno em nós
e não vai sair...

Hoje, só por ser Outono, vou...


Tiago Bettencourt - Outono
* Hoje e sempre.

terça-feira, 16 de março de 2010

my ♥ for you*

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mesmo mesmo mesmo?*

O que eu queria mesmo era:
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- chegar à cama e adormecer tão depressa ao ponto de não me lembrar sequer que me tinha deitado;
- acordar antes do despertador me deixar de mau humor e ter tempo de me sentar, ligar a tv e beber um sumo de laranja;
- ter vontade de sair à noite sem bocejar de 5 em 5 minutos;
- rir mais e melhor mas com intenção;
- ir às compras sem ter de fazer contas (ou fazê-las mas como aqueles passatempos em que se tinha de gastar xxxxxxxxxxx euros em 24h!!) ;
- passear no sítio b e sair do a (sempre o a... sempre o a...);
- ficar deslumbrante na minha roupa nova;
- apanhar sol sem me preocupar com cremes, queimaduras, manchas e mirones.
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Hoje estou assim a dar para o quem-disse-que-a-aparência-não-é-fundamental-deve-ser-parvo-ou-a-claudia-schiffer e no entanto o meu pijama não me larga (sai pijama! menino mal comportado!)
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E prontos. Era mesmo só isto. E agora que as queixas estão feitas vou ali e já volto.
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* Isto é o que eu quero mesmo.
O que eu quero mesmo mesmo mesmo é outra conversa.
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-

quarta-feira, 10 de março de 2010

she dreams in colors.



De que cor...

ris... suspiras... danças... vives... saltas...
fazes amor... seduzes... te deixas seduzir... inspiras...
experimentas... choras... gemes... cresces... conheces... coras...
te transcendes... dormes... escreves...
contas uma história... gostas... abraças... imaginas...
tremes... sonhas... fazes planos... dás a mão...
te acariciam... sussurras... foges... procuras... encontras...
mentes... guardas segredos... te acalmas... explodes... expiras... desejas...
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te vês e vês os outros?

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De que cor queres ser hoje?

segunda-feira, 8 de março de 2010

para... em...



E chove em mim.
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Ando que ando. Baloiço mas não caio.
E o Eu e o eu traçam diagonais ponderadas a fugir do que é mas não parece ser como se o silêncio mudo esbracejasse em vão.
Não sou movida por um sentimento nostálgico. Não hoje. Porque envolvida por estas quatro paredes sem cantos está a exaltação dos sentidos. Como os barulhos sem mastigar... Cheiro as cores da terra... O azul, o violeta, o cinzento...
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Sempre o cinzento...
E a ilusão de quem está por detrás das cores com corpos transparentes e atravessados ora por brisas ora por tempestades.
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Sempre o cinzento...
"Como o ciclo da água"... Ilusão que cresce e se encolhe tolhida de frio. Hoje chove, amanhã não se vê a ponta do pé enevoeirada.
Água-ilusão...
"Desaparece?"
"Por vezes parece que sim, quando pára de chover. Mas a água toca no chão quente e sublima sem fecundar o corpo-terra. E tudo recomeça. Perfeito seria sempre um céu cinzento."
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Cinzento... Sempre o cinzento...

Para mim... Em mim..
Em ti!

uninspired.

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I just need to see things from a different elgna.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

just breath.



Did I say that I need you?
Did I say that I want you?
Oh, if I didn't I'm a fool you see...
No one knows this more than me.
As I come clean.
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By my precious Eddie.
"Era uma vez um blog"





Que está de volta! :)
A arrumar as coisinhas nos sítios certos...


segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

"João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém. João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento, Raimundo morreu de desastre, Maria ficou pra tia, Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes que não tinha entrado na história."

Carlos Drummond de Andrade

Biga ama Bigo que ama Biga*#

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

talking bear in a dress.

Via msn Bélgica - Portugal...
E reza assim:
Ele - Ora olá...?
Ela - Olé.
Ele - Esses ossos?
Ela - No sítio. E as tuas cartilagens?
Ele - Encostadas a ossos, todas, acho eu... Eh eh eh eh.
Esses dentes alheios?
Ela - Feios, porcos e maus como sempre.
Ele - Que inveja... Eh eh eh.
(...)
Ele - Vou sair... Tomar banho e arranjar-me que vou ao teatro...
Ela - Chic...
...ken. Ahahahah.
Ele - Très chic. Ah ah ah ah.
Ela - Vai lá vai e chega cá cheio de manias que vês.
Ele - Vou arrasar com o meu vestido novo.
Ela - E os stilletos.
Ele - Vamos falando como temos falado... Que te parece?
Ela - Telepatia.
Ele - Viste? Resulta.
Ela - Bom teatro, urso. (um urso no camarote)
Ele - Comédia do Fellini.
Beijo num tornozelo.
Ela - Beijo no cotovelo.
Ele - Bebemos um copo à saída do teatro...
Ela - Dois... copos e beijos.
Ele - Tanto melhor.
Au revoir ma chérie.
Ela - Até sempre.

sábado, 21 de novembro de 2009

"?".


He - Exactly! You're just like "me" despite the lack of "beauty"!

extravaganza.

Ela - Para quando uma saída?
Ele - Num dia bom... E tu dizes "Um dia bom é qualquer dia!". E eu respondo "Pronto, é quando quiseres!".

E um dia bom é hoje.

sábado, 14 de novembro de 2009

fairy tale.


Ela - Eu e tu... Juntos para sempre?
Ele - Isso não será pouco tempo? Agora só me apetecia apagar-te a saudade do corpo...
And they lived happily ever after.

between ().


- (Vem! Quero ver-te! Quero roubar-te um beijo...)
(Apetece(s)-me. Vem.)
(...)
- (Shhhhhh.)
- Gosto de ti. Muito.
(Desejo-te tanto!)
- Como se nunca houvesse distância entre nós...
- E não! Para sempre! Fiz-te essa promessa.
- Fizeste?
- Não te lembras? Naquela noite.
- As promessas são cumpridas quando nos abandonam as recordações. Promete de novo para me relembrar...
- Todas as vezes que quiseres...
- Esta é uma vez. Quero agora.
- Tomarei sempre conta de ti... Sempre.
(...)
- Dizem-te saudoso. Que deixo marcas.
- E que marcas...
- Visíveis aos olhos dos outros ou apenas dos melancólicos?
- Não sei. (Mas desejo-te como na primeira vez que te vi.)
- Vi-te primeiro...
- (E ainda me desejas?)
- Invade-me uma ternura singular e a inversão de papéis em que me torno a protectora e não a protegida. E sinto-me bem. Percebes ou sou estranha?
- Percebo...
- E as brincadeiras, as conversas, os limites, tudo deixa de arranhar e de saber a mágoa no final porque está tudo bem. (Está tudo bem...)
- (Nunca te magoaria! Nunca!)
- (Os teus lábios na minha testa já me segredaram isso.)
- Durmo...
- Sonha. (Ainda não vás.)
(Para sempre... um pouco muito de ti...)
E o espelho tornou-se reflexo
e a voz ao ouvido que apetece guardar com um laço cobriu-se e dormiu.
Voltas amanhã?


sexta-feira, 13 de novembro de 2009

hansel e gretel.*


Ele - Ovelha meeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee.
Ela - Boi muuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu.
..
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* Versão "my brother and I
talking on the internet".

quinta-feira, 12 de novembro de 2009



E que a minha loucura seja perdoada
porque metade de mim é amor
e a outra metade também.

Oswaldo Montenegro

E escrevo e pairo fechada à chave por dentro para que o vento não me rasgue a alma.

Deposito-te um beijo no ponto de encontro dos nossos eus.
Durmo contigo nas mãos.
Durmo contigo sob a almofada que abraço.
Dorme também.
*#

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

sonhos de chuva-pele.


Nem sempre foi assim.
Nem sempre fui assim.
Ontem, quando dormi, não tinha este rosto de hoje quando toquei o chão frio. Assim triste, assim magro, assim oco. Nem estes olhos tão vazios. Nem esta boca azeda.
Ontem não tinha estes membros apáticos. Assim tão moles, flácidos e frios.
Ontem não era casa deste coração escondido.
Eu não me apercebi que mudei. Eu disse-te que não me ia aperceber. Eu fiquei no ontem, no passeio da rua, em frente ao senhor da fruta e sem me preocupar se vinha alguém que quisesse passar. Eu fiquei ali, no chão, a ver a rua, a ver os carros. A ver o teu carro... A ver-te... Até te perder de vista.
Eu fiquei ali ao sol, ao frio, à chuva, ao vento.
Eu fiquei ali.

Uma vez por semana passo por mim. Ainda lá estou.
Lembro-me do sol e dos sorrisos, da vontade que amanheça depressa para sentir tudo de novo e ainda mais.
E finjo que está tudo bem.

Olhas para mim que não sou eu e só tu sabes.
Ali onde estou, na rua onde os nossos olhares se encontram até voltares, é noite.
As pessoas não imaginam porque estou ali. São tão ridículas as pessoas, tão inertes. As pessoas passam, falam e não imaginam. E nós olhamo-nos. E prendo os meus olhos com lágrimas soltas e deixo-te ir com tempestades de medo nos lábios a sorrir. Deixo porque tens de ir. Deixo porque não quero.
No abrigo do nós soubeste ser o vento na minha camisola. E eu despi-a para ti, a dar-te um coração que era o resto da vida.
E os outros amam o que é fácil...
E não sei como sentir.
A minha vida é um lençol branco que se soltou com o vendaval. Não sei por onde vou. Não sei para onde vou. Sei que não vou por aí. Fico ali, por enquanto, até ver de que cor fiquei.
E ali resgato o brilho dos olhos... Ali fujo dos conselhos sensatos.
"Porque a noite é um poema que conheço de cor e vou cantar-to até adormeceres."
Um pouco mais de sol.
Um pouco mais de azul.
Dorme azul. Sonha bem.
E fico no mundo sem ser do mundo porque o meu mundo está longe.

nice to meet you.



Tinham passado um dia e uma noite inteiros nus, juntos, e durante a maior parte desse tempo não mais do que alguns centímetros afastados.
Desde bebé que ninguém, além dele próprio, tivera tanto tempo para examinar como era feito. Como não havia no longo e pálido corpo dela nada que ele não tivesse observado, nada que ela tivesse ocultado e nada que ele não conseguisse recordar agora com uma percepção de pintor, com o conhecimento estético meticuloso e excitado de um amante, e como passara o dia inteiro não menos estimulado pela presença dela nas suas narinas do que pelas suas pernas abertas nos olhos da sua mente, a conclusão lógica era que não podia haver no corpo dele nada que ela não tivesse absorvido microscopicamente, nada naquela extensa superfície onde estava gravada a sua singularidade evolutiva auto-adoradora, nada na sua configuração única como homem, na sua pele, nos seus poros, nas suas patilhas, nos seus dentes, nas suas mãos, no seu nariz, nas suas orelhas, nos seus lábios, na sua língua, nos seus pés, nos seus testículos, nas suas veias, no seu pénis, nas suas axilas, no seu rabo, no emaranhado dos seus pêlos púbicos, no cabelo da sua cabeça, na penugem do seu corpo, nada na sua maneira de rir, dormir, respirar, nada nos seus gestos, no seu odor, no modo como estremecia convulsivamente quando se vinha que ela não tivesse registado. E recordado. E reflectido sobre.
A causa disso era o acto em si, a sua intimidade absoluta quando não só estamos dentro do corpo da outra pessoa como ela nos envolve estreitamente? Ou era a nudez física? Tiramos a nossa roupa e deitamo-nos na cama com alguém, e é na verdade aí que vai ser descoberto o que quer que escondamos, a nossa particularidade, seja ela qual for e seja como for que esteja codificada, e é aí também que está a origem da timidez e o que toda a gente receia. Quanto de mim está a ser descoberto nesse louco lugar anárquico? Agora sei quem és.
Philip Roth